Soneto de Bar

De cerveja gelada num copo suado marcando a mesa,
De qualquer conversa maneira sem compromisso,
De amigos discutindo e, com vontade, falando asneiras,
De garçons folgados, desatentos e pouco submissos.

Tenho sede de cerveja gelada e petiscos,
De comidinhas gordurosas, tira-gostos (que não tiram),
De lembrar de Vinicius e ousar alguns rabiscos,
De mais cerveja, e histórias que nunca ouviram…

Muita sede de gargalhadas embriagadas,
De olhares insatisfeitos da mesa vizinha,
E das mulheres sempre incomodadas.

Sede que só sacia ao sentar no bar
E no primeiro gole da primeira cerveja
Sentir-se bem ao sentir a vida frear.

Published in: Sem categoria on 26/02/2013 at 12:55  Deixe um comentário  

Leveza

Minha vontade é enterrar meu nariz nos seus cabelos
E me perder nesse vórtice de vontade e beleza…
De ter em minhas mãos a posse do desejo
E a companhia amável de sua presença.

De sorrir com seu sorriso e te tocar,
Tocar com cuidado e firmeza,
Tocar sua pele, sua face, seus instintos.
Embriagar-me de você numa bebedeira violentamente calma e sem pressa…

Despertas em mim a vontade
Vontade de falar de minhas vontades,
Vontade de revelar com sinceridade
A vontade de te dizer essas vontades.

Published in: on 24/01/2013 at 22:48  Deixe um comentário  

Passarinhos

O barra do dia surge no horizonte
O sol clareia a ponta das folhas,
E os passarinhos cantam.
Eles cantam.

Pardais, bem-te-vis, passarinhos
cantando felizes no lento amanhecer.
Será que cantam por serem livres, os passarinhos?
Ou cantam sua liberdade?
Ou porque está amanhecendo?
Ou estão a chamar pelo sol?
Ou ainda, esperam clarear para serem livres?
Será que só amanhece por conta do canto?

São tantos passarinhos…
Passarinhos que cantam por serem livres!
Cantam pois o sol está raiando.
Cantam para espantar a escuridão,
Afastar a madrugada fria.
São os passarinhos que cantam.
São os passarinhos afoitos voando,
Despertando, dando vida, pois já é dia.

Published in: Sem categoria on 17/01/2013 at 10:22  Deixe um comentário  

Samba

É da força dos braços,
Agilidade dos dedos,
Da firmeza da voz,
Da rapidez dos movimentos,
Movimentos tão delgados
Tão formosos quanto atirados,
Que ele nasce.

Ele nasce e cresce e se reproduz,
E aumenta e nos fortalece,
e nos enfeitiça.
E ganha vida em caixas de fósforos,
Beiradas de mesa e tapinhas nas pernas.

Ele toma conta dos corpos
morenos,brancos,negros,pálidos.
Corpos que recuam, rodam, balançam.
Corpos que, soltos, dançam…
E dançam livres e sem covardia.
Mulatas que pisam na tristeza da lida.
Homens q fazem da noite sua vida.
Que fala de tristeza com alegria.
Ele é assim, samba é assim…

Published in: Sem categoria on 03/12/2012 at 22:01  Comments (1)  

Tristeza da Mulher que Ri

Ao andar pelo mundo, pelas ruas,
Por caminhos sinuosos,
Por labirintos para me perder
Diante das andanças eu vi…

Eu vi mulheres de olhos opacos,
De olhares sem brilho,
Sem vida, nem cor.
Olhares sem focos, cheio de dor.

Vi mulheres tristes sorrindo
Sorrisos sem alma
Faces para si mentindo.

Vi doces flores envenenadas,
Tóxicas e amargas pelo tempo.
Vi mulheres sofridas.

E nessas mulheres de olhar baixo
De sorrisos fracos,
E de olhos opacos,
Vi sorrisos querendo negar tudo,
Tudo isso que eu vi.

Published in: on 21/11/2012 at 11:04  Comments (1)  

Mudanças e Reticências

As coisas mudam…
Algumas coisas mudam…
Outras permanecem…
Talvez porque não devam mudar…
Ou talvez porque simplesmente não é o momento de mudar…
Ou ainda, de maneira mais completa e súbita: porque não mudam.

Mas mesmo assim
As coisas continuam mudando…
Mesmo para aqueles que não mudam.
E para quem gosta de mudanças,
A vontade de mudar não muda…
A mudança, ela permanece…
E acima de tudo,
É preciso que se saiba que
tudo isso muda ou permanece
Porque as coisas acontecem…!

Published in: on 06/11/2012 at 09:55  Deixe um comentário  

Compondo o Cenário

Não é algo simples te encontrar.
É necessário um cenário simples,
Puro e limpo para que sejas única,
Para que tu sejas a luz dessa vista.
Uma vista do amor…

É necessário que haja fundo musical,
Uma doce melodia suave e baixinha
Nada que se sobreponha sua voz.
Um som audível apenas por apaixonados
Por você, pela vida…

É necessário ainda que haja preparo.
Preparar o coração para ternura,
Preparar o corpo para audácia,
Preparar para que se espalhes
Num coração domado…

Não é simples te encontrar.
É preciso e necessário, por fim,
Ser amante…
Amante da vida, amante da amiga,
Da flor querida, amada.

Published in: Sem categoria on 13/09/2012 at 14:53  Deixe um comentário  

Ousadia Por Você

Ouso ansiar pelo seu corpo que almejo que seja meu,
Penetrar seus olhos fundos e cheios de histórias,
Deixar-me encantar pelos doces movimentos de sua boca
E sentir sua boca num doce toque de um beijo.

Usufruir de seu corpo liso, leve, macio e possuído,
Possuído por mim, pelo que sentimos, pelo que somos.
Passear como quem passeia numa planície ao fim da tarde,
Sem pressa…

Perder-me em você, mulher amada!
Ser só seu enquanto te tenho e descubro só pra mim,
Descobrindo parte a parte numa constante procura
De uma mulher que arde em meu peito.

Ouso ainda escrever, sem pudor ou arrependimento
Sobre a ousadia desse fulgaz sentimento
Que tenho por você, meu alumbramento.

Published in: Sem categoria on 24/07/2012 at 11:33  Deixe um comentário  

Autópsia de um Coração

Eis meu coração dissecado em poesia.
Tristezas de tempos passados,
Amores de tempos vividos,
Conquistas, troféus empoeirados.

Amigos sumidos, escondidos pelo tempo
Copos vazios e bem guardados
Um violão num canto, encostado,
Versos mudos em pálidas folhas de papel.

Eis que disseco meu coração na poesia
Com lembranças confusas,
Com declarações sem mulher amada,
Coração cheio de paixões não consumadas.

Eis meu coração.
Eis minha poesia.

Published in: Sem categoria on 14/07/2012 at 12:22  Deixe um comentário  

Mulheres da Nossa Poesia

(Poeminha feito em parceria com o poeta Daniel F. Lins)

Ah, esse nosso jeito boêmio de viver…
De poder ver e ter, bebendo, e ás vezes sofrendo…
Sofrendo por um breve partir ou despedida sem fim…
Sofrendo na leveza da poesia, que surge da nossa boemia…
Dos cantos imupulsivos, dos brindes maliciosos, dos olhares suculentos à uma jovem mulher que inquieta nossa noite poética…
Nos seduzindo, nos aprisionando por sua pele, seu cheiro de desejo quase inocente…
Desejo de fazer parte do nosso declame,
Das nossas intimidades,
Dos nossos sonhos mais marcantes,
Das nossas transas que fogem da solidao
Ah, esse nosso jeito boêmio de viver…
De fazer da solidão nossa amiga, da melancolia nossa companhia,
De doces mulheres carentes fazerem parte de nossa poesia…
Mulheres, companheiras
Seja noite, seja dia
Mulheres amigas, amantes
Mulheres que fazem parte da nossa boemia.

Published in: Sem categoria on 03/07/2012 at 11:43  Deixe um comentário