Obra Concretamente Abstrata

Andando distraído e sem compromisso
Deparo-me e de vez paro
E encaro a mais linda e complexa
Obra de arte.
Me encantei.
Me apaixonei.
Ela me olhava e me encarava.
Imóvel eu contemplava e queria! E quero!
Mas obra de arte não se pode tocar,
Só se pode olhar.
Mas obra de arte não responde,
Só encara e se esconde.

Arte só poderia ser mesmo no feminino!
Que nem “flor”…

Published in: Sem categoria on 28/04/2014 at 13:08  Deixe um comentário  

Poema da Orquídea

Primeiramente é preciso que haja cuidado.
Cuidado no tratar, no falar, no tocar.
No tocar é necessário e imprescindível
Que haja carinho, ternura, desejo. Sutil desejo.

Água e luz são essenciais!
Que a água esteja acompanhando doses etílicas.
Que a luz não seja tão clara nem intensa.
Que seja suave para clarear a alva superfície macia.

Quão alva e corada superfície!
Quão atraente o rubro labelo!
Quão profundas sãos as poças de ternura.
Uma poça e meia, precisamente!

Quão discreta e colorida,
Quão valiosa miúda
Quão arisca e atraente
Uma candura em forma de flor!

Para olhar seja sempre terno e invasivo,
Nunca violento ou agressivo!
Orquídeas são delicadas, nunca frágeis!
Orquídeas são leves, nunca tolas!

São fontes incessantes de poesia
E inalcançáveis às mãos do poeta.
São longínquas flores que se distanciam
E lá no alto, nos inquieta.

E no cuidado amiúde
Na dedicação quase paternal,
A orquídea cresce,
E nos toma de forma passional.

É preciso, finalmente,
Que seja firme e persistente.
Que seja bravo e coerente,
Mesmo sem saber direito o que se sente!

Published in: Sem categoria on 14/04/2014 at 08:02  Deixe um comentário